Passeio á Povoa para ver as sereias.

Próxima saída domingo 30 de Julho pelas 8 na Paluse

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A PERSPETIVA HISTÓRICA DOS BIKENATURAS

(Um dia)



Um dia,
Quando a juventude escassear
E a saudade nos assolar
Podemos ter a certeza,
Do olhar, do choro e da vaidade
Do espanto, e da tristeza
Daquilo que o Skriba narrar.



Um dia,
Nos desencontros da vida;
Desvairados e sem destino.
Confiamos em ti, Batedor!
Guia-nos no rumo certo,
Leva bem alto a nossa vontade
De nos voltar a encontrar.




Um dia
Querqus nos dirá:
-Ena pá! Valeu a pena!
Valeu a pena andarmos por cá.
A saborear a Natureza,
A beber dos seus encantos
E a ela podermos voltar.





Um dia
Quando o tempo nos disser
Que é tempo de abdicar
Uma voz alta e cintilante
Louvará os nossos feitos.
É Ele no seu esplendor!
É o nosso Tenor a cantar.



Um dia
De tédio acometidos
Pela quietude da noite
Surge o Ninja empolgante
Com total ausência de sono
E com determinação nos apela...
“Rapazes, estou aqui! Temos que continuar”.



Um dia
Por um motivo qualquer
A força e a vontade se mitigar
E o desânimo de nós se apossar
Wolf, virtuoso, lá estará
Para o ímpeto nos acicatar
E, também, a coragem de voltar.




Um dia,
As nossas forças esvanecem-se
E só com a potência da alma,
E com toda a energia do corpo
Marcamano assumirá
Com vigor e confiança
A honra de nos representar.



Um dia
Já fatigados de andar
Saudosos desses momentos
Riones comentará:
- Oh pessoal! Foi bom.
E apesar de continuar
Melhor!? Foi com os Bikenaturas andar!




Um dia
Virá outro dia
Com a vontade esvaída
E o cansaço a assentar
-Então, Bikenaturas!? Mister questionar-nos-á.
Não! Não é tempo de acabar.
Arreganhem-me a coragem! Toca a andar!


E o que hei-de eu dizer
Da vossa figura cimeira?
Loas? Não lhe dou, com certeza.
Não merece coisa pífia!
Algo mais sublime quer.
Vai querer a vossa alegria
E a amizade que lhe quiserem dar.


                                                                in Poesia do Raio

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O 53º RECITAL...

                                                                PARABÉNS! TENOR

   O singer do grupo fez no passado dia 30 de novembro o seu quinquagésimo terceiro ano... 
   Como seria da praxe os BiKeNaTuRas deveriam ter-lhe reservado uma agradável surpresa...Ou seja, um valente empeno! Mas o nosso Batedor , curiosamente, não estava muito virado para santinhas. E aí é que o destemido Tenor mostrou  que neste domingo queria pedalar ao som de um desenfreado heavy metal. Por isso, apesar de só termos rolado 32 km, foi ele que escolheu o trajeto...e que trajeto! 
-Assunção, Assunção!... proferia ele. 
   E pronto como era o seu dia lá condescendemos. 
  Tudo começou com a subida da Pinguela e de seguida subimos ao monte Córdova por Roriz passando por Cabanas e por...não sei mais... até chegarmos a tão desejada Santa. 
   No entanto o maior registo biclista desta passeata foi a auto-inclusão do TÓ. Pois é! Este amigo do pedal fez-nos companhia ao longo deste passeio transvazando uma energia amistosa para com todos BiKeNaTuRaS. 
   Confesso que desde que ando de bicla foi o primeiro amigo do pedal que não se vangloriou de ter feito isto ou aquilo na bicla. Bem só o seu ofício é que nos atemorizou um pouco... CANGALHEIRO! Ninguém é perfeito! Lol...
    Mas regressemos ao nosso estimado Tenor porque ele é que o ator principal. A razão pela qual o track teve poucos km deveu-se aos largos minutos de TBCAD. Caros BiKeNaTuRaS sei que a crise está aí mas não é necessário tanto economizar os pneus porque ultimamente esta ementa dominical está a ser muito repetitiva... lol! 
   Para terminar caro amigo Tenor penso que este dia foi um dos passeios domingueiro com mais peripécias. Se não vejamos...TBCAD, duas quedas, um furo, uma quase perda de máquina fotográfica e telemóvel e a presença de um CANGAGHEIRO que não necessitou desempenhar o seu ofício... Fantástico!
   Só me resta lamentar a falta da bica e sobretudo, faço a minha mea culpa, o "happy birthday to you" ao meu estimado amigo Tenor.
   Recebe deste teu Skriba um ENORME abraço de amizade e que o CANGALHEIRO TÓ, ou outro da concorrência,  seja sempre bem-vindo durante muitos e muitos anos mas para pedalar na presença de todos os bikenaturas.  
O Skriba
Os BiKeNaTuRaS:
,,,,e
O UnderTóker:










sábado, 29 de outubro de 2011

ILS SONT FOUS CES ROMAINS!... E A ATLÂNTIDA GERESIANA

   Já lá vão dois longos anos ( "Os 7 magníficos no Gerês e não só...") desde a primeira incursão dos BiKeNaTuRas ao Parque Nacional da Peneda-Gerês. 
   Assim saímos da sede às 07h30 e chegámos por volta das 09h15 a Santa Cruz em Caldelas.


  Iniciamos daí o nosso percurso na Geira Via Romana XVIII  ou Via XVIII do Itinerário de Antonino que levar-nos-ia bem perto da barragem de Vilarinho das Furnas passando por Covide.

  Na Geira podemos apreciar a natureza no seu esplendor onde os carvalhos retorcidos pelo peso do tempo não morrem de inveja de umas pedras feitas caminho à sua sombra que são pisadas por todo o tipo de aventureiros tais como os BiKeNaTuRaS.

   Ao longo da Geira, se alguns quilómetros foram destruídos ou quase destruídos, a estrada romana ainda surge por muitos quilómetros praticáveis e preservados.


   Nesta Via XVIII existe uma simbiose entre a natureza e a civilização onde o património arqueológico torna-a imperdível para quem gosta de ir ao seu encontro.



   Apesar da sinalização ser quase perfeita existem, poucas, situações onde ela deveria ser mais explicita. Lembro-me no regresso de duas situações em que na primeira o grupo perdeu dois elementos e na segunda, logo a seguir, onde tivemos de retroceder caminho devido à má sinalização.


   Um dos momentos mais altos desta jornada foi a visita, não programada, a Vilarinho das Furnas. 
  Desde a barragem até à aldeia o percurso é feito por uma vereda terrosa onde a vegetação selvagem tenta acompanhá-la. 

   Passámos por lugares onde o silêncio só era quebrado pelas nossas interjeições designativas de admiração, pelos ruídos típicos do rolar das biclas, pelo chilrear, pelo rumorejar dos arroios, pelas quedas de água e pelos "clics" das máquinas fotográficas.


   Ao dobrar a última curva lá apareceu a enseada onde se deixavam avistar as casas tornadas ruínas devido à "presa" iniciada em 1971. 


   Já com as rodas na tramolhada da aldeia sentimos uma sensação fantasmagórica. O monte rochoso e abrupto, a água mistériosa e perigosa, as pedras aglomeradas e cansadas  de serem invadidas tornavam este local mítico e enigmático.


O grande Miguel Torga registou em palavras o absurdo de um país que coloca o valor de um muro de cimento acima do valor das suas gentes:

REQUIEM
Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.

Miguel Torga
Barragem de Vilarinho das Furnas, 18 de Julho de 1976

  Terminado o "almoço" regressámos à barragem e em vez de rumar para Covide apontámos as burras para à direita, ou seja, para Brufe. Bem! Tivemos de suar e penar durante 5 longos quilómetros até passarmos pelo restaurante    " O Abocanhado". No entanto esta estrada é fantástica não só devido à paisagem proporcionada mas também pela sensação que todos tiveram de subir um excerto dos Alpes. 

 A partir daí veio a recompensa, para alguns... para mim foi a estocada final, 12 quilómetros a descer.
   Finda a descida...Claro! Tivemos de subir! E que subida! foram cerca de 5 km com a percentagem de 16 %...Duro mesmo! 
   Já na Geira e sentindo a noite a estender o seu manto os BiKeNaTuRas imprimiram um bom ritmo até Santa Cruz.


   Após o carregamento das burras e uma breve higiene pessoal arrancámos para Amares onde iríamos desforrar as panças com umas francesinhas no "Império das Francesinhas".
   Mais uma vez!... A fome era tanta que nenhum fotógrafo se lembrou de registar as excelentes iguarias "devoradas" pelos BiKeNaTuRaS. 
   E pronto, mais uma aventura ultrapassada, por este grupinho, por vias ancestrais onde a natureza nunca deixa de estar presente.
   Resta-me escrever algumas palavras para os ausentes, com faltas justificadas, que perderam uma aventura mas que outras virão.
O Skriba
Foram Geirados 70 km

Os BiKeNaTuRaS:
,,,,,