Passeio á Povoa para ver as sereias.

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sábado, 3 de outubro de 2009

"OS 7 MAGNÍFICOS" NO GERÊS E NÃO SÓ...


"Há sitios no mundo que são como certas existência humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este gerês é um deles."

Miguel Torga, Diario VII

Pois é! Os BiKnaTuRa nunca imaginaram que iam fazer esta aventura quando iniciaram as suas bicladas domingueiras. Mas como tudo na vida cresce (ou quase tudo) o nosso apetite aventureiro também fermentou. Assim no dia 03 de Outubro arrancámos da sede com as "burras" enfiadas na carrinha de apoio e lá fomos ao habitat natural de um nosso bem conhecido "ET". Nesta jornada tivemos a honra de ser acompanhados pelo JR... alguns vão dizer que ao convidar o meu Boss é suborno pela certa hehehehe!... será mais dor de cotovelo. Mas lá chegamos ao São Bento da Porta Aberta todos bem dispostos. Tiramos as biclas da carrinha e quando ouviu-se " Já não vou poder ir convosco!...parti o desviador!!!" Era o JR.

De facto tentámos tudo para remediar o problema mas não foi possível. Assim após tomar o café da praxe e de nos despedir do meu Boss lá arrancamos para uma subida bem longa e difícil. Convém dizer que a ideia nunca foi abandonar o nosso amigo, a ideia era ele ir até a vila do Gerês arranjar a bicla num garagista e depois ir ter connosco de carrinha. Infelizmente isso não foi possível e o JR apanhou uma "seca" de 4 horas.




O grupinho subiu até Covide sem grande dificuldade sempre animados e contemplando a lindíssima paisagem que se oferecia aos nossos olhos.
Chegados a Covide viramos para o Campo do Gerês. Realmente para quem gostar passar uma férias sossegadas mas com muita aventura nada melhor que este sítio. Poderá dar passeios a cavalo, moto 4, BTT e pedestre...para quem gostar de actividades mais radicais também poderá fazer slide, paintball, rappel, escalada e até tiro com arcos. Fantástico!
Depois seguimos ao longo da margem da barragem de Vilarinho das Furnas num estradão em terra onde estava programado o nosso lanche. A paisagem é deslumbrante entre o verde da flora, o azul do rio Homem e o castanho das rochas. No entanto temos de lamentar o PRETO dos "famigerados" incêndios de Verão que aí se podiam sentir. Com a água do rio Homem a molhar-nos os pés estacionamos aí para o lanche matinal.



Lanchar deve ser a palavra mais desejada nas nossas bicladas porque é sempre uma farra.
Há quase de tudo um pouco e há também os que gostam das "boleias" e ainda por cima reclamam com o que se lhe dá...não é Wolf ?....hehehehe! As tuas bolachas não prestam mas quando não as levas eles reclamam logo... O local escolhido é muito aprazível por estar à beira rio e a paisagem é repousante. As encostas são cada vez mais íngremes e pobres porque as culturas rareiam.


Findo o lanche tão apreciado retomamos o estradão que nos ia levando pelo Trajecto da Via Nova na Milha XXXI onde podemos apreciar as famosas Geiras romanas. Aqui o Quercus Man deu-nos uma sucinta explicação sobre estes"marcos miliários". Para quem não sabe a Geira Romana é um percurso com mais de 2000 anos, que era utilizado, na antiguidade, pelos romanos para ligar Brácara Augusta (Braga) a Astorga (Espanhã). Inicialmente este percurso tinha 300 km's de extensão. Actualmente, quase todo o percurso está "apagado".
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Montámos as nossas "burras" e percorrendo lentamente a Milha XXXI engatámos na XXXII. Parámos numa ponte de madeira (contemporânea) onde a vista sobre o rio Maceira é esplêndida. Atravessámo-la e do outro lado deparamo-nos com ruínas num sítio paradisíaco onde a flora era serrada mas refrescante. Para prosseguir a rota traçada tivemos de atravessar uma outra ponte em madeira mas desta vez com a bicla à mão para apreciar melhor a paisagem...

Continuamos, penso eu, pela Milha XXXIII que possui um pavimento, embora sendo plano, mal conservado, estando reduzido a uma camada de calhaus. Esta pausa fora dos selins veio mesmo a calhar porque permitiu-nos descansar os "pacotes".

Continuando esta passeata uma vez a pé outra em cima da bicla lá fomos subido até encontramos mais uma ponte de madeira. Este lugar prendeu-nos de imediato aos seus encantos...creio que não vale a pena descrevê-los...apreciem por favor as fotos...comentários para quê!



Depois desta paragem obrigatória lá retomámos a nossa biclada e...também o pavimento empedrado. De facto esta Milha é excelente para as vistas... para as bicla hum!...não sei não! Mas lá fomos dando às calcantes e de vez enquando aos pedais.

Gosto de BTT mas para mim tranportar a bicla às costas é algo de penoso e sobretudo de revolta visto que comprei-a para montá-la e não o contrario. Este desabafo tem o seu significado porque sabia que estava a chegar o momento em que o TBCAD (Transporte de Bicla Com Apoio Dorsal- segundo o meu estimado amigo ET) ia ser o prato seguinte.

E lá chegou ele quando a roda dianteira calcou a água do Rio Homem. Seguiu-se, para mim, o momento talvez mais alto deste passeio...Atravessar este rio é algo que me fez realmente lembrar a radicalidade da aventura. Claro que não teve qualquer dificuldade mas tive a sensação de fazer parte integrante da Natureza. Foi bom ver nos rostos dos BiknaTuRa a alegria desta passagem para a outra margem.
Já agora tinhamos como pano de fundo a recente ponte S.Miguel que foi construida no âmbito da conservação e valorização da Geira como forma de possibilitar aos visitantes da Geira a passagem, sem dificuldades, sobre o rio Homem, de modo que o trajecto entre a Albergaria e a Portela do Homem se torne uma dos mais apelativos, onde, em tão pouco espaço, se pode conviver e evocar factos importantes da história da região, ao mesmo tempo fruir de um cenário ambiental genuíno e de rara beleza.


Mas continuemos o relato...
As biclas teimavam em não se deixarem montar porque o trilho estava florido com calhaus e só calhaus ...bem às vezes lá apareciam algumas pedrinhas e silvas com amoras.

O nosso Tenor que já vinha a algum tempo a cantarolar cantigas de escarnio e maldizer sentiu que esta última parte da via ia ser penosa...e com muita razão porque até à Portela do Homem (fronteira), são alguns quilómetros a subir, a rudeza do trilho deixou as nossas baterias físicas bastante em baixo. No entanto a beleza da flora é suprema e só por isso valeu a pena gastá-las.






Mas como somos DUROS de roer lá chegámos à Portela do Homem com a sensação da peregrinação concluída (reparem na expressão de satisfação do Wolf e o cançaso estampado no rosto do Batedor).


Para internacionalizar este passeio atravessámos a fronteira e tirámos a foto de família para mais tarde recordar e mostrar aos nosso netos que houve tempos em que o vovó também andava sem bengala...e desde já agradecemos ao nosso Presidente-Karateca de nos ter concedido esta pequena pausa Kit-Kat...




Finda a pausa iniciámos, pela estrada, as descidas e subidas através da Mata de Albergaria. A Mata de Albergaria é um dos mais importantes bosques do Parque Nacional da Peneda Gerês, constituída predominantemente por um carvalhal secular que inclui espécies características da fauna e da flora geresianas.
Parámos sobre a ponte, talvez, mais conhecida para quem utiliza o carro. Aí além de termos apreciado a beleza da cascata e lagoas iniciou se o grande enigma sobre a existência ou não do Monstro das Lagoas. Esta dúvida só foi esclarecida numa foto tirada e ampliada onde aparece o tal Monstrinho.

Depois dessa longa discussão lá prosseguimos pela Mata de Albergaria. Eu bem ia iludindo os meus colegas de passeio dizendo "... a descida é a seguir àquela curva..." ...mas... até à portagem foi quase sempre a subir. O esforço foi tão duro que o nosso Presidente ficou para trás e lá tive eu de ir ter com ele...sim porque uma ajudinha psicológica à hierarquia é sempre bem vista...hehehehe! Quem não teve compaixão foi o nosso Tenor que mal o terreno começou a empinar lá foi subindo ao seu ritmo e só o apanhamos na Vila do Gerês onde estava a nossa espera.
A descida para à Vila do Gerês foi alucinante não só pelo serpentear do alcatrão como também pelos obstáculos, pouco normais nas nossas estradas, que por aí fomos encontrando.
Àchegada lá estava o meu Boss sorridente sem o menor azedume por ter ficado "em terra". Mais tarde soubemos que como bom biklista que é fez várias subidas desde a Vila do Gerês até ao São Bento. O Nosso Tenor farto de andar e cheio de fome atirou com raiva a sua montada para o piche..
A partir daqui vieram as partes melhores da jornada...COMER!!!!! Lá fomos todos até ao restaurante Cruzeiro em Terreiro perto de Amares. Nada melhor após um exercícios deste calibre uma excelente refeição para repor as energias perdidas.                             








Com as barrigas cheias ficámos algum tempo na galhofa na praça principal dessa "terriola".







Por muito esquisito que pareça o Batedor deu-nos a ideia de terminar a nossa aventura numa tasca conhecida dele...E lá fomos nós "esfomeados" para aquilo que ia ser a mais dura subida do dia... seguramente é uma Extra-Categoria!...Era uma casa à face da estrada com uma ramadinha a proteger do Sol o serviço de esplanada. Aqui é que as coisas aqueceram...e de que maneira! Começámos com sopas de vinho com pão de milho caseiro (quentinho), passando pelas deliciosas castanhas da zona e terminámos com a ingestão de nozes utilizando um quebra-nozes bem peculiar. Quanto ao vinho nem será preciso comentar bastará ver as fotos para ficar com o "beicinho".
E pronto! cheguei ao fim deste extenso e penoso relato tal e qual como foi a nossa aventura. Fica o desejo de que este passeio seja o primeiro de muitos no Parque Nacional Peneda-Gerês porque existem muitos outros trilhos para percorrer e sobretudo muitas tascas também...

O Scriba
Fotos: Scriba e Batedor


O percurso teve 41 kms e foi concluído em 3h14m (andamento).

Os BiknaTuRa
Scriba-Batedor-Wolf-Quercus Man - Presidente - Tenor e...
                                                                             o Boss

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