Passeio á Povoa para ver as sereias.

Próxima saída domingo 12 de novembro pelas 8,30 na Paluse

sábado, 29 de outubro de 2011

ILS SONT FOUS CES ROMAINS!... E A ATLÂNTIDA GERESIANA

   Já lá vão dois longos anos ( "Os 7 magníficos no Gerês e não só...") desde a primeira incursão dos BiKeNaTuRas ao Parque Nacional da Peneda-Gerês. 
   Assim saímos da sede às 07h30 e chegámos por volta das 09h15 a Santa Cruz em Caldelas.


  Iniciamos daí o nosso percurso na Geira Via Romana XVIII  ou Via XVIII do Itinerário de Antonino que levar-nos-ia bem perto da barragem de Vilarinho das Furnas passando por Covide.

  Na Geira podemos apreciar a natureza no seu esplendor onde os carvalhos retorcidos pelo peso do tempo não morrem de inveja de umas pedras feitas caminho à sua sombra que são pisadas por todo o tipo de aventureiros tais como os BiKeNaTuRaS.

   Ao longo da Geira, se alguns quilómetros foram destruídos ou quase destruídos, a estrada romana ainda surge por muitos quilómetros praticáveis e preservados.


   Nesta Via XVIII existe uma simbiose entre a natureza e a civilização onde o património arqueológico torna-a imperdível para quem gosta de ir ao seu encontro.



   Apesar da sinalização ser quase perfeita existem, poucas, situações onde ela deveria ser mais explicita. Lembro-me no regresso de duas situações em que na primeira o grupo perdeu dois elementos e na segunda, logo a seguir, onde tivemos de retroceder caminho devido à má sinalização.


   Um dos momentos mais altos desta jornada foi a visita, não programada, a Vilarinho das Furnas. 
  Desde a barragem até à aldeia o percurso é feito por uma vereda terrosa onde a vegetação selvagem tenta acompanhá-la. 

   Passámos por lugares onde o silêncio só era quebrado pelas nossas interjeições designativas de admiração, pelos ruídos típicos do rolar das biclas, pelo chilrear, pelo rumorejar dos arroios, pelas quedas de água e pelos "clics" das máquinas fotográficas.


   Ao dobrar a última curva lá apareceu a enseada onde se deixavam avistar as casas tornadas ruínas devido à "presa" iniciada em 1971. 


   Já com as rodas na tramolhada da aldeia sentimos uma sensação fantasmagórica. O monte rochoso e abrupto, a água mistériosa e perigosa, as pedras aglomeradas e cansadas  de serem invadidas tornavam este local mítico e enigmático.


O grande Miguel Torga registou em palavras o absurdo de um país que coloca o valor de um muro de cimento acima do valor das suas gentes:

REQUIEM
Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.

Miguel Torga
Barragem de Vilarinho das Furnas, 18 de Julho de 1976

  Terminado o "almoço" regressámos à barragem e em vez de rumar para Covide apontámos as burras para à direita, ou seja, para Brufe. Bem! Tivemos de suar e penar durante 5 longos quilómetros até passarmos pelo restaurante    " O Abocanhado". No entanto esta estrada é fantástica não só devido à paisagem proporcionada mas também pela sensação que todos tiveram de subir um excerto dos Alpes. 

 A partir daí veio a recompensa, para alguns... para mim foi a estocada final, 12 quilómetros a descer.
   Finda a descida...Claro! Tivemos de subir! E que subida! foram cerca de 5 km com a percentagem de 16 %...Duro mesmo! 
   Já na Geira e sentindo a noite a estender o seu manto os BiKeNaTuRas imprimiram um bom ritmo até Santa Cruz.


   Após o carregamento das burras e uma breve higiene pessoal arrancámos para Amares onde iríamos desforrar as panças com umas francesinhas no "Império das Francesinhas".
   Mais uma vez!... A fome era tanta que nenhum fotógrafo se lembrou de registar as excelentes iguarias "devoradas" pelos BiKeNaTuRaS. 
   E pronto, mais uma aventura ultrapassada, por este grupinho, por vias ancestrais onde a natureza nunca deixa de estar presente.
   Resta-me escrever algumas palavras para os ausentes, com faltas justificadas, que perderam uma aventura mas que outras virão.
O Skriba
Foram Geirados 70 km

Os BiKeNaTuRaS:
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domingo, 2 de outubro de 2011

PASSADIÇOS COM EMPENO

   Este foi o 3 passeio realizado pelas tábuas horizontais plantadas à beira do Atlântico.
   Deste modo, pela nona vez, partiram 8 bikenaturas ,da estação de Caniços às 7h26, em direção à cidade invicta. 
   Chegados aí subimos aos Clérigos onde fomos aplaudidos por alguns resistentes, ou habitués, à longa noitada dedicada aos caloiros. 
   Seguimos viagem até à rotunda da Boavista onde bem perto entrámos num "carrossel"  de cimento sob a batuta da Casa da Música. 
   Finda a brincadeira dirigimo-nos até ao Parque da Cidade onde é sempre um enorme prazer rolar nesse belíssimo espaço portuense. 
   Já em Matosinhos percorremos a longa marginal ao sabor da maresia que se fazia sentir.
   Atravessámos o rio Leça pela ponte móvel e antes de tomar a tão desejada bica o Wolf decidiu furar. 
   Rolando na marginal de Leça tivemos de parar novamente para, definitivamente, consertar o furo do Wolf. 
   A partir daí e até Vila Chã foi sempre a rolar pelos passadiços onde a azáfama dos desportitas domingueiros tornavam por vezes a marcha um pouco lenta. No entanto  vislumbravam-se belas "sereias"  deitadas ao longo do vasto areal.  
 Mais uma vez chegámos tardíssimo a casa e o épico Riones, segundo me contaram, apanhou um não menos épico empeno.

   E pronto mais um viagem realizada no cavalo de ferro e pelos passadiços que lembram as velhas linhas do comboio. 
O Skriba

Foram "passadiçados" 71 km


Os BiKeNaTuRas:
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