Passeio á Povoa para ver as sereias.

Próxima saída sabado 29 de Abril. Convivio anual dos Bikenaturas em Pampilhosa da Serra.

domingo, 13 de dezembro de 2009

ÁGUAS SULFUROSAS, MERGULHOS E BAILARICOS NO AMIEIRO GALEGO


Doido!!! É o comentário que me costumam fazer sempre que nos dá na gana de deixar as nossas caminhas tão quentinhas e galgarmos porta fora em busca de mais um pouco de aventura. Na verdade logo que a ponta do nariz saiu da porta, o cheiro e a sensação a frio era muito, para além das nuvens negras que se avistavam no horizonte e que não agoiravam nada de bom. Por momentos fiquei indeciso e cheguei a dar razão a quem proferiu tal afirmação. Mas não. Capacete na cabeça, bicle afinadinha, e lá fui eu, como me compete, abrir a nossa sede e ter com os meus companheiros. Como é habitual eles já lá estavam, afoitos e decididos como o costume. Ainda aguardamos um pouco na esperança que o nosso Quercus Man aparecesse mas pelos vistos a temperatura da cama pesou mais na sua decisão.
Imbuídos da nossa loucura, e antes que as nuvens ameaçadoras nos resfriassem o ímpeto, metemo-nos ao caminho. Na indecisão do rumo a tomar, optamos pelo trajecto do costume, isto é, Famalicão. Os caminhos para lá chegar foram vários. Alguém teve a ideia de ir em direcção ao Calvário de Novais.


Não sei que tipo de penitência teria para pagar mas o custo coube todos. Bem sei que precisávamos de aquecer, mas daí a castigar as nossas burras ao ponto de elas não aguentarem connosco em cima e ter que nos apear… coitadinhas. Ufff, alguém se esqueceu de prover aquele caminho de um ascensor.


Depois de deixar acalmar os batimentos cardíacos descemos o monte por trilhos já por nós desbravados e que nos deu para chegar á estrada que liga S. Mateus a Vermoim Solicita-se o nosso Batedor).
Mas isto do asfalto não é muito a nosso gosto e por isso há que virar logo à direita o que deu para apreciar uma espécie de canil, sempre aceleradinhos, não vá algum deles saltar a rede morder-nos os pneus. No entanto, isto de passar por bichinhos enjaulados (à excepção destes, claro) não tem nada de interessante e mereceria mesmo o repúdio veemente de Quercus Man, pelo que, não foi preciso andarmos muito para nos confrontar com os ditos cujos cheios de entusiasmo à nossa espera. Só que desta vez não havia qualquer tipo de muro ou rede a separar-nos. E nós, ignorando que a única forma de eles nos aplaudir é abrir a boca mostrar aqueles dentes afiadinhos, arrepiamos caminho. Mas logo entendemos a intenção das criaturas e com alguma coragem virtual lá passamos pelos nossos fiéis amigos a olha-los de soslaio e sem os cumprimentar. (Não é má educação).
Por entre atalhos, trilhos, veredas e algum asfalto, chegamos a Famalicão.


Era hora de café. E aqui uma demonstração de serviço eficiente. Logo que nos apeamos lá estava a mesa do costume e os cafés servidos.
Depois de alguma conversa de cujos assuntos não recordo, o nosso Tenor lembrou que, com muita pena sua, teria de nos deixar. Outros compromissos o chamavam. E nós compreendemos muito bem e, confesso, temos orgulho em termos no grupo um tenor no auge da sua carreira e o privilégio de usufruirmos, de vez em quando, das melodias que saem da sua garganta… e não só eheheheheheh. Exprimindo a vontade de não gostar de vir sozinho, apelamos ao nosso altruísmo e fizemos-lhe companhia até Landim. Já sem Tenor, chegou a hora do lanche. E nada como nos refastelar, comendo e bebendo a ouvir o chocalhar das aguas bravas do riacho misturado com a vasta fauna lá existente (solicita-se o nosso Quercus).

Como a hora não ia adiantada, alguém sugeriu que continuasse-mos, mais com a intenção de queimar tempo e calorias, seguindo o trajecto Riba de Ave/Vila das Aves/Bairro. Para isso avançamos a velocidade de cruzeiro. Durante o percurso, confesso, veio-me à memória as Termas do Amieiro Galego e por isso não podíamos desperdiçar oportunidade de as visitar. Mas pelos vistos outros tiveram, e ainda bem, a mesma recordação, pois sem me aperceber, já o nosso Batedor desviava à direita, antes de chegar à igreja de Vila das Aves.

47 kms em 3h14m
Participantes: Presidente, Tenor, Batedor, Wolf e Scriba


Mais Fotos:




Sem me querer alongar mais no relato. Gostaria de lhe inserir este testemunho que outrora me foi solicitado para o trabalho escolar.

Testemunho sobre o Rio Ave

“Se há algo que não invejo nos infantis e adolescentes de hoje, é a vivencia que eles não têm nem nunca poderão vir a ter e que eu e os muitos rapazes e raparigas da minha idade conseguiram desfrutar e usufruir das belíssimas margens e leito que o rio Ave nos granjeava”.



É, na realidade, com grande tristeza, que visito hoje os diversos locais por onde parei em tempos, já muito longínquos, mas ainda vivos na minha memória.
Recordo as zonas que nós designávamos de: Amieiro Galego; Areal; Vale de Tábuas (situado logo abaixo da ponte de Pinguela que liga Bairro a Vila das Aves); Portos (situado em Burgães, muito perto do actual parque da Rabada; Santo Tirso (sob a ponte principal, e junto ao moinho. Este local dispunha de barcos de passeio e disponibilizavam uma prancha para mergulho.
Foi, no entanto, nos dois primeiros locais que passei parte da minha infância e adolescência.
O primeiro, ficava logo imediatamente a montante do segundo. Tinha um espaço provido com águas termais na margem da Vila das Aves e que era bastante frequentado por pessoas que buscavam nas suas características a cura para algumas das suas maleitas.
Do lado de Bairro existia (e existe) duas turbinas que produziam energia eléctrica para alimentar as fábricas de Oliveira Ferreira e Sampaio Ferreira em Riba d’Ave. A unir as duas margens está um enorme paredão com cerca de quinze metros de altura e dois metros de largura no topo com um pequeno declive a cair para jusante. Era este paredão que retinha as águas e formava a albufeira do Amieiro Galego. Aqui passávamos a maior parte dos tempos livres durante as épocas balneares. Lembro que este era o local reservado aos que já sabiam nadar muito bem porque era extremamente fundo e por vezes assustador. Também estava provido de barco que servia para transportar pessoas de uma margem para a outra. Por vezes, faziam-se competições ocasionais de natação que consistiam no atravessamento do rio, numa prova de meio fundo cujo percurso era desde o paredão até ao início da primeira curva e uma prova de fundo que começava no paredão e acabava numa pequena represa em Salgueirinhos (Delães).
O Areal, era o local mais espectacular. O nome advém precisamente das suas areias que ficavam depositadas na margem direita. Alguma dela estendia-se mais para o interior misturando-se com a erva curta fornecendo um local aprazível e que convidava aos arraiais de música que era trazida em disco de vinil pelos emigrantes. Eram autênticas romarias de pessoas da e fora da freguesia.
Mas, o cenário que nunca esquecerei será, com certeza, o momento em que as comportas da albufeira de Amieiro Galego eram abertas. Era um espectáculo único de se ver.
As grandes quantidades de areia que eram libertadas deixavam um manto prateado no leito do rio até ao Areal percorrido apenas por alguns regos de água e pela formação de pequenas lagoas junto aos penedos onde os muitos peixes que ali existiam se acantonavam. Deliciávamo-nos a percorrer esse trajecto a apanhar com facilidade os peixes que saltitavam nos regos de água ou nas pequenas lagoas.
Já estava a entrar na juventude quando tomei banho pela última vez no Rio Ave. Tinha-me apercebido que a pele do meu corpo manifestava algumas alergias após o banho e cujo efeito só era atenuado com o posterior banho das aguas termais que sobravam para uma bica a brotava constantemente.
Foi com grande tristeza e desalento que constatamos que os seus níveis de poluição já não permitiam que usufruíssemos dele.
Diziam-nos que era um mal menor. Que a indústria seria mais importante para o desenvolvimento da região.
Pena foi que não acautelassem a sua poluição e que o dito desenvolvimento fosse feito a custa da morte do Rio Ave.
Ainda tentaram, há cerca de dez anos atrás, colmatar esta situação através dum plano integrado de despoluição do rio, financiado pela CEE, construindo condutas de esgotos junto das suas margens o que, na minha opinião, para além de ser muito pouco provável que o rio viesse a ser despoluído, como veio a acontecer, matou de vez uma eventual possibilidade das suas margens virem novamente a serem povoadas.
O Presidente

2 comentários:

BiKnaTuRa disse...

Bravo! aqui está um relato digno de ser lido, não só, pela qualidade ortográfica mas e sobretudo pela informação aliada à jocosidade nele contido...Parabéns! e desejo que esta prática "scriba" se torne um hábito no nosso blog...

Abraço deste teu companheiro de bicla e de teclado...

ZéKTM disse...

Bom relato sim senhor. Parabéns e continuem por esses trilhos fora, já que infelizmente o Rio Ave já não é o que era.

Boas pedaladas.