Próxima saída sabado 26 Maio pelas 7,30 horas na Paluse .

sábado, 29 de outubro de 2011

ILS SONT FOUS CES ROMAINS!... E A ATLÂNTIDA GERESIANA

   Já lá vão dois longos anos ( "Os 7 magníficos no Gerês e não só...") desde a primeira incursão dos BiKeNaTuRas ao Parque Nacional da Peneda-Gerês. 
   Assim saímos da sede às 07h30 e chegámos por volta das 09h15 a Santa Cruz em Caldelas.


  Iniciamos daí o nosso percurso na Geira Via Romana XVIII  ou Via XVIII do Itinerário de Antonino que levar-nos-ia bem perto da barragem de Vilarinho das Furnas passando por Covide.

  Na Geira podemos apreciar a natureza no seu esplendor onde os carvalhos retorcidos pelo peso do tempo não morrem de inveja de umas pedras feitas caminho à sua sombra que são pisadas por todo o tipo de aventureiros tais como os BiKeNaTuRaS.

   Ao longo da Geira, se alguns quilómetros foram destruídos ou quase destruídos, a estrada romana ainda surge por muitos quilómetros praticáveis e preservados.


   Nesta Via XVIII existe uma simbiose entre a natureza e a civilização onde o património arqueológico torna-a imperdível para quem gosta de ir ao seu encontro.



   Apesar da sinalização ser quase perfeita existem, poucas, situações onde ela deveria ser mais explicita. Lembro-me no regresso de duas situações em que na primeira o grupo perdeu dois elementos e na segunda, logo a seguir, onde tivemos de retroceder caminho devido à má sinalização.


   Um dos momentos mais altos desta jornada foi a visita, não programada, a Vilarinho das Furnas. 
  Desde a barragem até à aldeia o percurso é feito por uma vereda terrosa onde a vegetação selvagem tenta acompanhá-la. 

   Passámos por lugares onde o silêncio só era quebrado pelas nossas interjeições designativas de admiração, pelos ruídos típicos do rolar das biclas, pelo chilrear, pelo rumorejar dos arroios, pelas quedas de água e pelos "clics" das máquinas fotográficas.


   Ao dobrar a última curva lá apareceu a enseada onde se deixavam avistar as casas tornadas ruínas devido à "presa" iniciada em 1971. 


   Já com as rodas na tramolhada da aldeia sentimos uma sensação fantasmagórica. O monte rochoso e abrupto, a água mistériosa e perigosa, as pedras aglomeradas e cansadas  de serem invadidas tornavam este local mítico e enigmático.


O grande Miguel Torga registou em palavras o absurdo de um país que coloca o valor de um muro de cimento acima do valor das suas gentes:

REQUIEM
Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.

Miguel Torga
Barragem de Vilarinho das Furnas, 18 de Julho de 1976

  Terminado o "almoço" regressámos à barragem e em vez de rumar para Covide apontámos as burras para à direita, ou seja, para Brufe. Bem! Tivemos de suar e penar durante 5 longos quilómetros até passarmos pelo restaurante    " O Abocanhado". No entanto esta estrada é fantástica não só devido à paisagem proporcionada mas também pela sensação que todos tiveram de subir um excerto dos Alpes. 

 A partir daí veio a recompensa, para alguns... para mim foi a estocada final, 12 quilómetros a descer.
   Finda a descida...Claro! Tivemos de subir! E que subida! foram cerca de 5 km com a percentagem de 16 %...Duro mesmo! 
   Já na Geira e sentindo a noite a estender o seu manto os BiKeNaTuRas imprimiram um bom ritmo até Santa Cruz.


   Após o carregamento das burras e uma breve higiene pessoal arrancámos para Amares onde iríamos desforrar as panças com umas francesinhas no "Império das Francesinhas".
   Mais uma vez!... A fome era tanta que nenhum fotógrafo se lembrou de registar as excelentes iguarias "devoradas" pelos BiKeNaTuRaS. 
   E pronto, mais uma aventura ultrapassada, por este grupinho, por vias ancestrais onde a natureza nunca deixa de estar presente.
   Resta-me escrever algumas palavras para os ausentes, com faltas justificadas, que perderam uma aventura mas que outras virão.
O Skriba
Foram Geirados 70 km

Os BiKeNaTuRaS:
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domingo, 2 de outubro de 2011

PASSADIÇOS COM EMPENO

   Este foi o 3 passeio realizado pelas tábuas horizontais plantadas à beira do Atlântico.
   Deste modo, pela nona vez, partiram 8 bikenaturas ,da estação de Caniços às 7h26, em direção à cidade invicta. 
   Chegados aí subimos aos Clérigos onde fomos aplaudidos por alguns resistentes, ou habitués, à longa noitada dedicada aos caloiros. 
   Seguimos viagem até à rotunda da Boavista onde bem perto entrámos num "carrossel"  de cimento sob a batuta da Casa da Música. 
   Finda a brincadeira dirigimo-nos até ao Parque da Cidade onde é sempre um enorme prazer rolar nesse belíssimo espaço portuense. 
   Já em Matosinhos percorremos a longa marginal ao sabor da maresia que se fazia sentir.
   Atravessámos o rio Leça pela ponte móvel e antes de tomar a tão desejada bica o Wolf decidiu furar. 
   Rolando na marginal de Leça tivemos de parar novamente para, definitivamente, consertar o furo do Wolf. 
   A partir daí e até Vila Chã foi sempre a rolar pelos passadiços onde a azáfama dos desportitas domingueiros tornavam por vezes a marcha um pouco lenta. No entanto  vislumbravam-se belas "sereias"  deitadas ao longo do vasto areal.  
 Mais uma vez chegámos tardíssimo a casa e o épico Riones, segundo me contaram, apanhou um não menos épico empeno.

   E pronto mais um viagem realizada no cavalo de ferro e pelos passadiços que lembram as velhas linhas do comboio. 
O Skriba

Foram "passadiçados" 71 km


Os BiKeNaTuRas:
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domingo, 4 de setembro de 2011

ROTA DO DESCANSO DAS BURRAS E RAMADAS RECHEADAS.

Até que enfim que o nosso Batedor atinou e por uma vez o seu fetiche pelas Santas e Santos foi esquecido. Por isso, o passeio deste Domingo esteve-me de feição.

Não havendo capelas a visitar sugeri que iniciássemos o nosso percurso subindo a rampa de Pinguela (penso que nunca o tínhamos feito).

Depois de passarmos Vila das Aves, o rumo a tomar, como lhe compete, ficou por conta do Batedor.

Já em direção a S. Martinho do Campo e um pouco enfadado do alcatrão, não resistiu ao avistar um quelho íngreme que nos levaria a percorrer alguns campos e bouças situados, essencialmente, em Roriz e S. Tomé de Negrelos mas que não permitiam muito a prática da modalidade. Foram muitas as vezes que tivemos que recuar e que demos descanso às nossas burras.

Outras vezes não nos restava outra hipótese senão desbravar o terreno à nossa frente para prosseguirmos. Para isso contámos sempre com o nosso Querqus que, não tendo outras máquina, não hesitou em utilizar as suas «duas roda TT» como «caterpillar» para o fazer. Infelizmente, isso não seria o suficiente para evitarmos a terrível comichão provocada pelas muitas urtigas e as arranhadelas das silvas.

Mas valeu a pena! A seguir fomos contemplados com verdadeiras paisagens minhotas. Calmas e de um verde já amarelado, a anunciar a proximidade do Outono e que, infelizmente, tendem a desaparecer. Estou a falar de largas extensões de ramadas recheadas de cachos de várias castas quase prontos a serem colhidos. 
Aliás, no que toca às uvas americanas, elas estavam uma delícia; não só no sabor, como no aroma.

No entanto, o ambiente estava a ficar calmo e laxo de mais para o nosso feitio. Mais do que ninguém Batedor sabia disso e logo que avistou uma vereda ao fundo de um campo, guinou monte acima. Este carreiro, lavar-nos-ia, ora através do modo PAcBC (percurso apeado com bicicleta às costas) ora PA/PP (percurso apeado de par em par) ou ainda um pouco em estilo de BTT ao ponto mais alto do dia situado algures no alto de Roriz numa zona de grandes rochedos onde só os mais velhos, com a sua experiência e o seu afoito,  tiveram a coragem de os percorrer.

Já no regresso, o nosso Tenor, nada incipiente nestas andanças de guardador de cabras, não resistiu a demonstrar a sua arte de pastoreio e mesmo sem cajado mas com a inovação de o fazer de bicicleta provocou inveja nos verdadeiros pastores ao ponto de os por muito apreensivos.

As burras carregaram-nos durante cerca de 17 km. E nós carregamos e acompanhamos as burras durante 3 km. Foi obra!!!


                                                                                                                             El Presidente  
Os BiKeNaTuRaS:
 e .